Direito da Saúde

STJ: Cancelamento de Plano por TEA Gera Dano Moral

20/02/2026
Superior Tribunal de Justiça (STJ)
STJ: Cancelamento de Plano por TEA Gera Dano Moral

Resumo

Terceira Turma do STJ decidiu que cancelamento de proposta de plano de saúde motivado por TEA de beneficiário configura ato ilícito e gera dano moral. Relatora ministra Nancy Andrighi destacou que Lei 12.764/2012 considera pessoa com TEA como pessoa com deficiência, vedando cobrança diferenciada. Operadora cancelou contrato após entrevista médica atestar autismo da criança, alegando motivo técnico diverso. STJ identificou seleção de risco e discriminação.

A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que o cancelamento de proposta de contratação de plano de saúde configura ato ilícito e gera direito à indenização por dano moral, caso se comprove que o motivo foi o fato de um dos pretensos beneficiários ser portador do transtorno do espectro autista (TEA). Na origem do caso, foi firmada proposta de contratação de plano de saúde coletivo empresarial, com cobertura para três pessoas: um dos sócios da empresa, sua esposa e o filho do casal. Um dia antes do início da vigência do contrato, houve uma entrevista médica e foi atestado que a criança é portadora de TEA. Após transcorrido o prazo previsto para o início da cobertura, a operadora não enviou as carteirinhas e deixou de responder ao contratante, que registrou reclamação na ouvidoria da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Em resposta, a operadora comunicou o cancelamento da proposta, sob a justificativa de que ela deveria incluir obrigatoriamente ambos os sócios da empresa, e não apenas um deles e sua família. O contratante alegou que houve seleção de risco, em razão da condição de saúde do filho, e ajuizou ação requerendo a conclusão do contrato, com inclusão dos beneficiários e indenização por danos morais. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) determinou o cumprimento da proposta, mas afastou a indenização. ## Motivo do cancelamento foi diverso do alegado No STJ, o contratante afirmou que a recusa foi abusiva, pois a prática de seleção de risco e o tratamento discriminatório afrontaram a boa-fé e a função social do contrato. A relatora, ministra Nancy Andrighi, comentou que a proposta tinha força vinculativa, pois a operadora havia anuído à contratação mesmo com a inclusão apenas do núcleo familiar de um dos sócios. Diante desse contexto, ela salientou que é possível inferir que o cancelamento ocorreu por motivo diverso do alegado, estando, de fato, relacionado à condição do filho do contratante. A ministra ressaltou que, conforme a Lei 12.764/2012, alguém com transtorno do espectro autista é considerado pessoa com deficiência, com direito assegurado de acesso a serviços públicos e privados, especialmente na área da saúde, sendo inclusive vedada qualquer cobrança diferenciada em razão dessa condição. De acordo com a relatora, não se trata simplesmente de não ofender os interesses da pessoa com deficiência, mas de promover um ambiente mais inclusivo e acessível a todos, respeitadas as necessidades e limitações de cada indivíduo. Para ela, o dano moral ficou configurado com a tentativa da operadora de impedir o acesso de pessoa com deficiência ao plano de saúde. "A finalidade social do contrato impõe à operadora tanto a obrigação de não criar empecilhos à confirmação da proposta celebrada, como a de colaborar, de todas as formas que lhe são possíveis, para que a pessoa com deficiência efetivamente participe do plano privado de assistência à saúde", concluiu a ministra. **REsp 2.217.953**

Tags

STJTEAautismodano moralcapacitismoNancy AndrighiLei 12.764/2012seleção de riscodiscriminação

Fonte Original

Manchete Original: Cancelamento de plano de saúde motivado por TEA de beneficiário gera dano moral, decide Terceira Turma

Veículo: Superior Tribunal de Justiça (STJ)

Acessar matéria original (abre em nova aba)

* Conteúdo adaptado para fins informativos. Todos os direitos autorais pertencem à fonte original.